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sábado, 24 de outubro de 2026

Guiné 61/74 - P28458: Para bom observador, meia palavra basta (13): o crocodilo do canal do Enxudé, ao tempo da CCAÇ 1549 / BCAÇ 1888 (Tite, Quinhamel e Bissau, 1966/68)... e as alucinações da IA





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Foto nº 1B, 1A, 1


Foto nº 2


Foto nº 3

Foto nº 4




O Germano Estêvão, à civil,
antes da tropa. Foto original
a preto a branco.
Colorização  feita pela IA

1. Apresentámos ontem  o novo membro da Tabanca Grande, o nº 921, o Germano Estêvão (*). Foi "apadrinhado" pelo seu primo em 2º grau, e conterrâneo, o  João Crisóstomo. 

Das fotos (uma dúzia)  que o João trouxe consigo para digitalizarmos, consta esta, de muito fraca qualidade (Foto nº  5, abaixo reproduzida). 

Não a observámo com atenção e minúcia. O mal das pressas. Quisemos fazer o seu "restauro" digital e ver se a valia a pena "colorizá-la", com recurso à IA.

Para surpresa nossa obtivemos vários resultados para as nossas dúvidas sobre o "bicho" que os militares contemplam no cais de Enxudé. A foto deve ser de 1966/67.  Os militares devem pertencer à CCAÇ 1549, sediados em Tite (entre eles, deve estar o Germano Estêvão, que não conseguimos ainda identificar). 

Depois de várias "leituras" da foto (hilariantes, as primeiras), lá chegámos à conclusão que o "bicho" era, afinal,  um crocodilo do rio Geba...

(i) O Gemini / Google AI deu-nos esta resposta:

Com base nos registos históricos da fauna do rio Geba e no tamanho e formato alongado visíveis na imagem, o peixe capturado assemelha-se fortemente a um peixe-gato gigante africano (como as espécies do género Clarias ou Heterobranchus), ou potencialmente a um grande exemplar de tarpon ou barracuda de água doce, comuns nos estuários e águas salobras da Guiné-Bissau.

(ii) A mim, editor,  pareceu-me logo que era um crocodilo, e não um peixe, uma barracuda (palpite da IA do Google) (foto nº 2). 

O ChatGPT também não acertou à primeira (Foto nº 4). E lá fez a sua "autocrítica":

(...) "Tens toda a razão, camarada Luís — e não tens de pedir desculpa! Fui eu que interpretei mal a fotografia e, pior ainda, a colorização anterior inventou peixes e alterou bastante a cena original (Foto no. 4).

O animal é um crocodilo, e o homem de cócoras, ao centro, está a mexer-lhe nos maxilares, aparentemente a abrir-lhe a boca. A legenda deve respeitar o contexto que indicas: região de Quínara, Tite, margem esquerda do rio Geba, fotografia, a preto e branco, de Germano Estêvão, da CCAÇ 1549.

Vou corrigir a abordagem: preservar a composição original, os rostos, as posições dos homens, o crocodilo e a estrutura de madeira sob os seus pés. O restauro digital deve recuperar a fotografia histórica, não recriar uma cena diferente.

A nova versão (Foto no. 1) já representa o crocodilo com a boca aberta, mas devo ser rigoroso contigo: a ferramenta voltou a reconstruir partes da fotografia, em vez de se limitar a restaurar o original. Alterou pormenores das figuras e do animal, pelo que não a consideraria uma reprodução documental fiel para o blogue.

A legenda histórica que proponho é: Guiné, região de Quínara, rio Geba, margem esquerda, nas proximidades de Tite. CCAÇ 1549. Um grupo de militares junto de um crocodilo capturado, com um dos homens a abrir-lhe as mandíbulas. Fotografia de Germano Estêvão. Data não identificada.

Para o arquivo da Tabanca Grande, conservaria sempre a fotografia original a preto e branco como documento de referência.

A meu pedido, o ChatGPT fez uma "reconstituição" a preto e branco (Foto nº 2):

(...) "Camarada, fiz uma nova versão a preto e branco, procurando conservar o ambiente documental da fotografia de época, o enquadramento, os militares e o crocodilo, com maior nitidez e contraste.

Há, porém, uma ressalva importante: esta é uma reconstituição assistida por IA, não uma restauração puramente fotográfica. Alguns pormenores podem ter sido reinterpretados. Para um documento histórico da CCAÇ 1549, convém preservar sempre o original e comparar cuidadosamente os rostos, as mãos, o camuflado e a posição do crocodilo.

Quanto à identificação, concordo contigo: é um crocodilo, não uma barracuda. A fotografia, atribuída a Germano Estêvão, situa-se no canal do Enxudé, no rio Geba, junto de Tite, na região de Quínara, por volta de 1966/67. A classificação como crocodilo de tamanho médio é plausível, mas não determinaria a espécie nem o comprimento exato apenas com base nesta imagem" (...).

E acrescentamos nós: trata-se de um crocodilo da espécie crocodilo-do-Oeste-Africano  (Crocodylus suchus), muitas confundido com crocodilo-do-Nilo (Crocodylus niloticus). 

Essa distinção é recente (2011), e baseia-se em  estudos de DNA. O crocodilo-do- Oeste-Africano é muito menos agressivo e perigoso que  o do Nilo.  É mais pequeno e tem muito menos peso. A malta, no nosso tempo, não sabia fazer estes distinções zoológicas e tinha um medo que se pelava de cair ao rio...

De facto, comparado com o   crocodilo do Nilo (Nile crocodile) (que pode chegar aos 5 metros de comprimento, e aos 225 / 700 kg de peso), o  crocodilo-do-Oeste-Africano (West African crocodile)  anda entre os 2 e os 3 metros, podendo pesar, em adulto, entre 90 e os 250 kg. 

Na realidade, a malta nadava nos rios e estava-se "cagando" para os crocodilos" (muitas vezes confundidos com os "jacarés", que só existem no Novo Mundo).  Em África, não há jacarés, camaradas!
 
 [ Pesquisa: LG + IA (ChatGPT / Open AI) (Gemini / Google AI)]
(Condensação, revisão / fixação de texto: LG)



Foto  nº 5

Guiné  > Região de Quínara > Tite > CCAÇ 1549 > c. 1966/67 > No canal do Enxudé, rio Geba, um grupo de militares no cais, em observação a um animal capturado no rio (que parece ser um crocodilo)

Fotos: © Germano Estêvão / João Crisóstomo (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné + IA (ChatGPT / Open AI) (Gemini / Google AI)]


3. Comentário do editor LG: 

A IA pode ser (e tem sido) útil na recuperação de fotos dos nossos mal tratados álbuns, em geral com fraca resolução, e com já com muitas marcas do tempo (humidade, riscos, etc.). 

Mas a IA comete frequentemente erros ao interpretar ou "ler" fotografias antigas devido a limitações técnicas e à falta de contexto histórico (daí a importância da legendagem detalhada, como nós fazemos).  

É verdade que os modelos de visão por computador evoluiram muito, mas o processamento de imagens históricas ("antigas") apresenta desafios únicos que as máquinas ainda não conseguem resolver perfeitamente. 

A IA analisa pixels, formas e padrões, mas não entende o contexto social, cultural ou histórico bem como o significado político ou humano de um cenário. A IA "não pensa, não sente", mesmo que ela fale contigo e te trate por "camarada"...

Muitas das fotos dos nossos álbuns da Guiné (ao fim de 50, 60 anos...)  apresentam grão, riscos, manchas e descoloração (caso desta, do Germano Estêvão), que a IA pode confundir com elementos reais da imagem (troca do crocodilo pela barracuda, por exemplo)... 

Por outro lado, em imagens a preto e branco ou sépia, a IA tem de "adivinhar" as cores originais através de modelos de estimativa, o que resulta em tons de pele incorretos, roupas com cores historicamente erradas, perda de contraste original, etc.

No restauro digital,  a IA sofre muitas vezes de "alucinações visuais": ao tentar restaurar ou reconstituir  uma foto antiga, desfocada, com manchas, com riscos, rasgões, etc. (recorrendo a ferramentas de "upscaling"), a IA inventa texturas e traços faciais para preencher os espaços em branco. 

Além disso, a  IA pode alterar a fisionomia real de uma pessoa do passado, tornando o rosto demasiado "plastificado", "bonitinho",  ou parecido com os dados modernos com os quais foi treinada.

Temos de ser sempre cautelosos e críticos em relação a estes "restauros digitais"...E, primeiro que tudo legendar a foto... E comparar os "resultados"... 

Se nos dermos  ao trabalho de ampliar a foto original (usando inclusive a lupa...)  e observá-la atentamente, vê-se  que estes militares observam um crocodilo. De tamanho aparentemente médio...

Não, não  pode ser uma barracuda ou outro peixe do estuário do Geba. O camarada de camuflado segura a cauda, um africano em tronco num está debruçado sobre o réptil, o militar, á frente, ao centro, em tronco nu, de cócoras, segura o  maxilar superior. 

Pedimos ao Gemini/ Google AI   e ao ChatGPT/Open AI  que nos fizesse  o "restauro da imagem original",  que está  em mau estado.  A preto e branco. E depois com "colorização".

Já mostrámos o que foi "saindo"...com diferentes afinações da nossa parte... No que se perde muito tempo...

Esperemos que os nossos leitores também possam acrescentar algo mais sobre o que observam na foto original (**), e a comparem com as imagens da IA. E sobretudo nos falem da sua experiência (ou das suas memórias) da passagem por estas paragens...  (Nunca lá estive no Enxudé   nem em Tite, mas passei ao largo, em LDG e em "barco-turra", nas memoráveis viagens Bissau-Xime-Bambadinca e vice-versa.)

Devem ser raras, no nosso blogue,as fotos tiradas no "canal do Enxudé", no lado esquerdo do rio Geba, frente a Tite. Vou confirmar.

______________________
Notas do editor LG:
(*) Vd. poste de 23 de outubro de 2026 > Guiné 61/74 - P28455: Tabanca Grande (588): Germano Estêvão, senta-se à sombra do nosso poilão, no lugar nº 921, apadrinhado pelo primo e vizinho da Bombardeira, João Crisóstomo: foi 1º cabo at inf, CCAÇ 1549/ BCaç 1888 (Tite, Quinhamel, Bissau, 1966/68)

(**) Último poste da série > 19 de outubro de 2026 > Guiné 61/74 - P28447: Para bom observador, meia palavra basta (12): Decifrado o enigma dos grafitos deixados pela CCAÇ 1620 em Cameconde e no Cachil: "3798" era, de facto, o SPM da companhia (Manuel Cibrão Guimarães, Rio Tinto / Gondomar, organizador do encontro anual do pessoal em 2018)

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Guiné 61/74 - P28455: Tabanca Grande (588): Germano Estêvão, senta-se à sombra do nosso poilão, no lugar nº 921, apadrinhado pelo primo e vizinho da Bombardeira, João Crisóstomo: foi 1º cabo at inf, CCAÇ 1549/ BCaç 1888 (Tite, Quinhamel, Bissau, 1966/68)







Foto nº 1


Foto nº 2



Foto nº 3


Foto n º 4



Foto nº 5


O novo grão-tabanqueiro nº 921, Germano Estêvão, natural de Torres Vedras: 1º cabo at inf, pertenceu à CCAÇ 1549 / BCAÇ 1888 (Tite, Quinhamel, Bissau).

Legendas:  Foto nº > 1º cabo at inf, Tite  |  Foto nº 2> Na recruta > Foto nº 3 > No canal do Enxudé  | Foto  no. 4 >  Bombardeira: o Germano na sua casa, com a esposa Etelvina e o primo João |  Foto 5 > Foto atual

Fotos (e legendas): © Germano Estêvão / João Crisóstomo  (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné + IA (ChatGPT / Open AI) (Gemini / Google AI]



Brasão do BCaç 1888, "Vendo, Tratando e Pelejando" (Fá Mandinga e Bambadinca, 1966/68). Coleção: Carlos Coutinho (2009). (Imagem melhorada com a IA / Gemini.)



1.Mensagem do John Crisostomo, luso-americano, membro da Tabanca  Grande, régulo por decreto real da Tabanca da Diáspora Lusófona, activista social de muitas e boas causas, natural de Torres Vedras, a viver em Queens, Nova Iorque, com a sua querida Vilma, de origem eslovena:


Data -. domingo, 11/10/2026, 19:36
Ãssunto - O meu primo Germano Estêvão


Caro Luís Graça,

(....)  Já uma vez te falei dum primo meu que esteve na Guiné ao mesmo tempo que eu. Recordou um facto que eu já tinha esquecido: que nos encontrámos uma vez em Tite, onde ele estava estacionado, durante uma operação em que a minha companhia, a CCAÇ 1439,  fazia a sua parte. 

Estive há dias com ele, lembrando coisas e loisas,  especialmente das nossa experiências na Guiné e acabei por lhe perguntar se ele não queria fazer parte da nossa Tabanca Grande. Concordou em entrar e portanto aqui estou eu para “apadrinhar" mais um camarada nosso...

Aliás,   eu já o mencionei num email (de 3 de dezembro de 2023) e que até tinha várias fotos que tu depois publicaste no poste   P24983 de 21 de dezembro de 2023 mas que inicialmente  não apareciam (conforme confirmaram o saudoso Valdemar Silva e o Fernando Ribeiro,  em comentários a esse poste).

Na casa dele fui encontrar muitas fotos dos seus tempos da Guiné , mas estão todas muito velhas, não sei se as podes utilizar. Escolhi algumas que amanhã vou “ identificar”. (...)

Entretanto o que se segue é a “história da sua vida”. Diz que não gosta de escrever (muito menos por vias digitais ), mas prontificou-se a contar-me o que se lembra e que eu escrevesse por ele. Aqui está o que me disse, e que vou tentar replicar com a precisão que eu for capaz (...)


2. O novo grão-tabanqueiro nº 921 > Germano Estevão, 1º cabo at inf, CCAÇ 1549 / BCAÇ 1888 (Tite, Quinhamel e Bissau, 1966/68),a seguir  apresentado pelo João Crisóstomo:
 

(i) nasceu na Bombardeira, freguesia de A-Dos-Cunhados, concelho de Torres Vedras, no dia 11 de março de 1944;

(ii) ingressou na tropa no dia 15 de outubro de 1965, com 21 anos, em Leiria, no R.I. 17;

(iii) foi para a Guiné, integrado como 1º cabo at inmf, na CCAÇ1549 /  BCAÇ 1888,  no dia 25 de abril de 1966, já com os 22 anos feitos,  no navio Uíge, o mesmo navio que no dia 17 de janeiro de 1968 o trouxe de volta a Portugal;

(iv) logo que chegou a Bissau, foi de barco até Enxudé, onde desembarcou e daí seguiu em coluna de viaturas até Tite onde ficou durante 16 meses;

(v)  a CCAÇ 1549 veio substituir a CCav 677, em Tite, como subunidade de intervenção e reserva do sector: teve  um pelotão destacado em Fulacunda, até 28Jun66 e outro em Enxudé, 

 (v) depois foi para Quinhamel onde permaneceu alguns meses, antes de ir para Bissau, em substituição da CCAÇ 1498.  onde passou os últimos dois meses   até regressar a Portugal.

Três irmãos a servir a Pátria, ao mesmo tempo

É talvez pertinente mencionar um facto que aliás não foi único: enquanto ele fazia o seu serviço na Guiné os seus dois irmãos faziam também o seu tempo de tropa ao mesmo tempo que ele em lugares diferentes : o Rui, irmão mais velho, estava em Angola; e o Luís, o mais novo, fez o seu tempo todo em Portugal numa repartição administrativa, safando-se assim de ir ao Ultramar. 

 Os pais não tinham muitas posses… e ficaram sós,   com duas filhas, uma delas ainda criança,   "a aguentarem como podiam ” até que os filhos voltassem.

A sua companhia era a Companhia de Infantaria nº  1549, a  CCAÇ 1549, que "andou sempre à porrada".  Uma companhia de Intervenção sob o comando do capitão Brito, integrada ao BCAC 1888.

 Quando este Batalhão voltou a Portugal,   sua companhia ficou adida ao BCAÇ 1860, que por sua vez foi rendido por uma outra unidade, cuja identidade não se lembra mais.

Apesar de ser uma companhia de intervenção "que andava sempre no mato”, o número de sinistrados desta companhia foi bastante baixo: yiveram muitos feridos, mas tiveram apenas duas baixas fatais cujas circunstâncias lembra com bastante clareza, apesar do tempo que já passou.

O primeiro foi o alferes Dias, natural de Queluz, que foi morto em combate. O Germano lembra que, ao regressar, tiveram de atravessar uma bolanha com água pela cintura, e não tinham comunicação com ninguém. 

O comandante da secção que transportava o corpo do falecido alferes Dias ordenou então aos seus homens que levantassem e mostrassem o corpo do falecido por cima das suas cabeças para que o  de helicóptero sobrevoava a coluna de regresso (o PCV), se apercebesse de que eles tinham um morto e queriam que o helicóptero apanhasse o corpo do falecido alferes.

O furriel Joaquim  Peixeira, que pertencia a esta companhia e que já várias vezes esteve nos nossos convívios, ainda hoje vai à campa do alferes Dias levar flores,   honrando a sua memória e prestando a sua homenagem.

A história do outro sinistrado não é menos pungente, porque se tratou de um acidente, sem qualquer falta ou culpa de ninguém . O enfermeiro da companhia estava com uma arma nas mãos que estava armada sem ele o saber. "Não sabe porque cargas de água", a arma disparou-se e a bala foi atravessar a chapa que era a parede comum com a caserna seguinte, atravessou um caixote de bacalhau ( creio que vazio) e foi atingir o primeiro cabo Cardoso que teve morte instantânea.

(Texto de João Crisóstomo, revisão / fixação de texto: LG)


4. Comentário do editor LG: 

João, obrigado pelo teu empenho e "apadrinhamento". O teu primo e nosso camarada  Germano Estêvão  é bem-vindo, e vai sentar-se à sombra do nosso poilão no lugar nº 921.

 Infelizmente não tínhamos até agora nenhum representante da CCAÇ 1549 (e apenas 3 ou 4 escassas  referências a esta subunidade).  

Em próximo poste, apresentaremos mos mais fotos e a ficha da unidade, e algumas referências à sua atividade operacional. 

Este BCAÇ 1888 esteve em Bambadinca, embora já não  seja do meu tempo. Mas lembro-me do seu memorial, na nossa parada, em frente àescola.

Como bem dizes, as fotos do álbum do Germano Estrêvão que me entregaste e eu digitalizei, são de fraca qualidade. Procedi ao seu "restauro" e colorização, com recurso à IA. 

Ele fica com o teu endereço de email. Manda-lhe um abraço fraterno, meu, de camarada e vizinho (da Lourinhã).

___________________

Nota do editor LG:

Último poste da série > 16 de outubro de 2026 > Guiné 61/74 - P28442: Tabanca Grande (587): Henk Eggens senta-se à sombra do nosso poilão, no lugar nº 920: nasceu nos Países Baixos (que para nós é sempre a velha Holanda...) e é cidadão do mundo, médico de saúde global; é vizinho de Salazar, vive em Santa Comba Dão

terça-feira, 29 de setembro de 2026

Guiné 61/74 - P28385: Álbum fotográfico do Padre José Torres Neves, ex-alf graduado capelão, CCS/BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71) - Parte XLI: Porto Gole, na margem direita do rio Geba (1)


Foto nº 1 e 1A > Vista aérea de Porto Gole, e da sua pista de aviação (!), à direita, com a bolanha ao fundo



Foto nº 2 e 2A > Porto Gole >  Quartel, pau da bandeira e monumento ao pessaol da CART 1611 (1066/68) (a que pertenceu o nosso camarada Abel Rei). O edifício ocupado pelas NT era a antuga casa do chefe de posto mais o celeiro local. Como aconteceu em muitas outras povoaçóes.  Com o início da guerra, e sobretudo a partir de 1963, a adminisytração civil ficou desarticulada...





Foto nº  3  e 3A > Quartel ao tempo da CART 2411 (Porto Gole, Bissá e Enxalé, 1968/70). Antiga casa do chefe de posto.


Fotos (e legendas): © José Torres Neves (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné + IA (ChatGPT / Open AI)] 




Guiné-Bissau > Região do Oio > Porto Gole > s/d > E tudo o vento dfa História levou... Foto muito posterior à independència... As antigas instalações (casa do chefe de posto + celeiro, depois quartel das NT) em estado de completa ruina. A casa estava virada para o  rio (que se vê ao fundo). Imagem restaurada pela IA (ChatGPT / OpenAI), a partir de fotos de Patrício Ribeoiro (2019) e de Mário Beja Santos (s/d).



O antigo alferes graduado
capelão José Torres Neves

1. Continuação da publicação do álbum fotográfico do alferes graduado capelão José Torres Neves, nosso grão-tabanqueiro, que pertenceu à CCS/BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71). 

Hoje missionário da Concordata, reformado e nonagenário, José Torres Neves é natural de Penamacor,
a terra também do nosso atual Presidente da República, 
António José Seguro e de figuras históricas como o Sanches Ribeiro, o maior médico portuguès do séc. XVIII e uma das grandes referèncias do Iluminismo europeu.

O espólio fotográfico do José Torres Nerves tem estado à guarda do seu e  nosso amigo e camarada Ernestino Caniço (ex-alf mil cav, cmdt do Pel Rec Daimler 2208, Mansabá e Mansoa; Rep ACAP - Repartição de Assuntos Civis e Ação Psicológica, Bissau, Fev 1970/Dez 1971; hoje, médico, foi diretor do Hospital de Tomar, 6 anos, de 1990 a 1996, e diretor clínico cumulativamente 3 anos, de 1994 a 1996, vivendo então em Abrantes; hoje vive em Tomar).
 

Excerto de foto
 do Abel Rei (2002)

Com este publicamos o poste nº 41 (em numeração romana, XLI). Já devemos ter publicado perto de 3 centenas de imagens, obtidas a partir do álbum do nosso amigo e camarada, antigo capelão. 

Tratando-se de "slides" digitalizados, as fotos em geral têm boa qualidade e resolução, permitindo-nos fazer "recortes de detalhes", como é o caso da presentes fotos  (melhoradas com recurso à IA).

Graças à paixão do padre José Torres Neves pela fotografia e ao seu amor pela Guiné e a sua gente, temos no nosso blogue uma documentação de excecional valor sobre o sector O4 )Peste 4) (Mansoa) ao tempo do BCAÇ 2885 (1969/71).

Nas fotos nºs 2 e 3 vê-se o monumento aos bravos da CART 1661 (enão aos "mortos"), que aqui estiveram em 1967/68. (A IA não conseguiu reproduzir com fidelidade a inscrição no monumento; também não se pode exigir que... adivinhe, quando a resolução das fotos é baixa; compare-se  a leitura da IA com a inscrição ao lado:  "Para testemunho de fé e de trabalho  do povo balanta (?)"... Hilariante!..

Esta visita do capelão deve ter sido feita em julho / agosto de 1969, quando se faz na Guiné o plantio do arroz (a recolha é em novembro, dezembro, janeiro); em Porto Gole estava então a CART 2411 que foi rendida em 5 de março de 1970 pela CCAÇ 2587 / BCAÇ 2885.  Deve ter-se deslocado de avioneta, de Mansoa até Porto Gole (foto nº 1). Visitou Bissá, indo até lá de sintex (!)...O nosso capelão não era homem para "capinar sentado", como se diz no Brasil. Foi a todos os sítios onde havia gente que  precisava dos seus cuidados espirituais.



Excerto da foto original do
José Torres Neves (2026)
Em 07nov68, rendendo a CART 1661,  a  CART 2411 assumiu a responsabilidade do subsector de Porto Gole, com destacamentos em Bissá e Enxalé (este até à suapassagem para a zona de acção do BCaç 2852,sector L1, Bambadinca,  em 290ut69) e ficando integrada no dispositivo e manobra do BCAÇ 1912 e depois do BCAÇ 2885.

O João Crisóstomo (que pertenceu à CCAÇ 1439, 1965/67) vai ficar feliz ao rever o Porto Gole do seu tempo... E o Abel Rei também. (Temos mais fotos.)

Guiné 61/74 - P28384: Tabanca da Diáspora Lusófona (45): O regúlo que chega à terra dos seus antepassados Crisóstomos & Crispins para passar o outono /outubro connosco...



Foto nº 2


Foto nº 2

Guiné > Região do Óio > Porto Gole > CCAÇ 1439 (1965-67) > s/d > O alf mil João Crisóstomo  e o capitão de 2.ª linha Abna Na Onça. A foto nº 2, original, é a preto e branco, e faz parte do álbum João Crisóstomo, ex-alf mil at inf, CCAÇ 1439 (Xime, Bambadinca, Enxalé, Porto Gole e Missirá, 1965/67). Restauro, melhoria técnica e colorização digital: ChatGPT/OpenAI, 2026.   Na colorização procurou-se, tanto quanto possível, respeitar as características das fardas da época: João Cristóvão surge com a farda de trabalho n.º 3, de sarja, mais para o branco sujo. Abna Na Onça com farda camuflada verde.  A foto nº 1 é uma montagem também com recurso à IA (ChatGPT/OpenAI), a partir de uma foto do padre José Torres Neves, ex-alf graduado capelão, CCS/BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71) (de um lote de fotos sobre Porto Gole, a publicar dentro de dias)  e da foto nº 2, original, do João Crisóstomo (2019).



Guiné > Carta de Fulacunda (1955) > Escala 1/50 mil > Pormenor: posição relativa de Porto Gole e Bissá, e de outras povoações na margem direita do rio Geba, algumas abandonadas com a guerra.

Segundo o nosso camarada Abel de Jesus Carreira Rei, autor do livro "Entre o Paraíso e o Inferno: De Fá a Bissá: Memórias da Guiné, 1967/1968" (Prefácio do ten gen Júlio Faria de Oliveira, edição de autor, 2002, 171 pp. Execução gráfica: Tipografia Lousanense, Lousã), a ocupação de Bissá pelas NT remontava a 7 de abril de 1967. 

Passaria a ser um destacamento, guarnecido por um pelotão (-) da CART 1661 e uma companhia (-) da Polícia Administrativa de Porto Gole, comandandada pelo valente capitão de 2ª linha, e régulo balanta, Abna Na Onça.  

Uma semana depois, na noite de 14 para 15 de abril de 1967, um ataque do PAIGC a Bissá, de duas horas,  faria sete mortos e cinco feridos. Entre os mortos, contou-se o Abna Na Onça.  Na sequência deste desastre, o destacamento foi (temporariamente) abandonado e depois reocupado pelas NT.

Infografia; Blogue Luís Graça & Canmaradas da Guiné (2019) 

 1. É uma pequena homenagem ao nosso amigo e camarada, luso-americano, João Crisóstomo, que acabou de chegar este fim de semana de Nova Iorque, terra onde vive há meio século: como muitos outros  camaradas nossos, depois da "peluda" (em 1967), correu mundo à procura de melhores condições de vida. Acabou por ir parar à Terra do Tio Sam, onde nasceram os seus dois filhos. Em 2013 casou, em segundas núpcias, com  s nossa amiga,  a esloveno-americana Vilma Kracun, que também se senta à sombra do nosso poilão.

O João é uma figura conhecida de (e estimada por)  todos nós. Vem regularmente a Portugal. É o régulo, "por decreto", da Tabanca da Diáspora Lusófona.

Recentemente, mandou-me um mail a que, indecentemente, ainda não respondi. Estive fora do "escritório", mais de 3 semanas (no Norte, nas vindimas).

Resumo do mail: (i) o João propõe almoço de aniversário do Manuel Resende a 10 de outubro, sábado, no restaurante Caravela de Ouro; e (ii) solicita envio de cartas físicas ao Primeiro-Ministro de Portugal protestando contra o projeto de exploração mineira em Peniche.

Ele não conseguiu chegar a tempo de participar, como tencionava, no último almoço-convívio da Tabanca da Linha no passado dia 24 de setembro. Quer, entretanto, tirar o máximo partido da sua estadia em Portugal. Tem já uma agenda cheia. Vamos a ver como conseguiremos compaginá-la com a nossa e a de outros camaradas e amigos.

Data - 06/09/2026, 09:23

Assuntos - Dois assuntos : um deles , um "SOS"! Paremos a "mina de desgraças" em Portugal!


(...) "Quando já tinha comprado os bilhetes de viagem e tudo o mais, recebi instruções para estar livre durante a semana da Assembleia Geral das Nações Unidas para poder encontrar-me com um dos participantes que quer falar comigo.´

Só poderei ir nos últimos dias de setembro, e vou estar aí o mês de outubro. Mas não quero deixar de fazer coisas importantes como o de me encontrar com os familiares e amigos que estiverem ao meu alcance durante o mês de outubro.

Como o Manuel Resende, régulo da Tabanca da Linha, faz anos no dia 10 de outubro, um sábado, eu gostava de o ver nesse dia e pergunto-me se seria possível convidar quem  estiver disponível... Podíamo-nos encontrar então nesse dia para almoçar no mesmo restaurante, o Caravela de Ouro, onde ele organiza os convívios da Tabanca da Linha. Para simplificar cada um pede o que quiser do menu normal da casa e cada um paga por si… Que achas ? Diz algo sim? (...)"


Por outro lado, o João  não deixou, em Queens, Nova Iorque, as suas "armas de ativista social"... Onde há um "boa causa", direta ou indiretamente relacionada com a sua terra natal, e a terra dos seus antepassados Crisóstomos &  Cripins, que até Torres Vedras, Oeste, Estremadura, Portugal, ele aí está, inquieto e pronto para inquietar-nos e mobilizar-nos para a ação.

(...) "Segundo: muito importante, sobre essa malfadada mina de desgraças que estão a pensar explorar em Portugal. E logo pertinho de nós, no Oeste … Essa... Não!
´
Aqui vai o que estou a fazer e a enviar a todos a quem posso chegar. Neste caso os meus camaradas da Guiné, na esperança de que cada Tabanca participe, e cada régulo envie uma carta (real de papel, com selo, pelo correio normal), e   cada carta com várias assinaturas, ao nosso Primeiro Ministro (...)

Segue, no mail,  a minuta, que depois divulgaremos, por mail, se for caso disso: temos de fazer o ponto da situação e concertar estratégias, além de discutir se essa petição pública tem cabimento no blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné, tendo em conta as nossas regras editoriais.

Para já saúdo, em meu nome pessoal e da Alice,  bem como de toda a Tabanca Grande, a chegada do João e da Vilma, que entretanto espero  poder abraçar e com eles "partir mantenhas"  dentro de  dias na Lourinhã, que é uma extensão da sua terra natal.

 Welcome to Portugal, John and Vilma!

(Seleção, revisão / fixação de texto: LG)
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Nota do editor LG:

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Guiné 61/74 - P28296: Tabanca da Diáspora Lusófona (44): A minha ida para o Canadá, em fevereiro de 1974 (João Bonifácio, ex-fur mil SAM, CCAÇ 2402, Có, Mansabá e Olossato, 1968/70)









Capa da brochura "Memórias da CCAÇ 2402 (Guiné 1968/1970), Volume II", mimeog", 2008, páginas inumeradas,il. (Coordenação: Raul Albino, 1944-2020).


Ele foi um dos colaboradores deste II Volume, juntmente com o ex-cap inf Vargas Cardoso, também já falecido em 2023,  e de outros camaradas como o Carlos Sacramemto, Carlos Santiago, Carlos Costa, Joaquim Ramalho, Maurício Esparteiro, António Maria Veríssimo, António Fangueiro da Silva, e o próprio Raul Albino. O João Bonifácio é membro da nossa Tabanca Grande desde 1 de dezembro de 2006.

Em homenagem ao Raul Albino, ex-alf mil da CCAL 2402, que nos deixou em plena pandemia  (, aliás foi o próprio João Bonifácio que nos deu a triste notícia),  reproduzimos no poste P21652 dois aponatmentos sobre o Natal de 1968 e de 1969, da autoria do João, incluidos naquela brochura.

As fotos de cima (e as legendas) são do João G. Bonifácio, ex-fur mil SAM, da CCAÇ 2402 (Có, Mansabá e Olossato, 1968/70), a viver no Canadá (Oshawa, Ontario).

Fotos (e legendas): © João Bonifácio (2008. Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]






A história da minha ida para o Canadá, em 1974

por João Bonifácio

Vamos ver como vou ser justo, porque tanto o Luís como o João Crisóstomo querem saber como é que eu vim parar ao Canadá. 

As histórias são quase todas semelhantes. Nem tudo correu bem, e eu nem queria acredita ter servido o exército por 37 meses ( 21 meses e quatro dias npo CTIG). Na verdade eu até nem precisava de emigrar, estando bem empregado. 

Creio que o descontentamento de tudo o que se estava a desenrolar em Portugal, fez com que eu assim decidisse ir para o Canadá. Sair de Portugal foi na verdade o mesmo que deixar tudo e todos a chorar de saudade, mesmo antes de embarcar. Em 15 de fevereiro viajei na TAP para Toronto.

A Montreal chegamos atrasados e por isso estivemos à espera de um avião da Air Canada. À chegada a Toronto, e já numa hora tardia, tínhamos à espera uma tempestadade de neve, frio e uns amigos que nos foram esperar ao aeroporto. 

No dia 16 de fevereiro eu fazia anos. Quando acordei e espreitei pela janela, tudo era um manto branco de neve e as ruas completamente vazias. Também aqui não foi fácil, pois entrámos no Canada no meio de uma depressão económica. Fui ultrapassando estas pequenas/grandes tormentas e fui trabalhar para uma fábrica de sofás, onde não estive muito tempo..

Mudei para o Hospital de Oshawa onde estive 26 meses. Aqui melhorei o inglês e até me ajudou a adaptar ao convívio com pessoas de várias etnias.

No hospital aprendi muito. Do hospital mudei para a Chrysler, na indústria automóvel, onde tínhamos um vencimento bastante bom e com todos os benefícios inerentes, negociados pelo sindicato. Com trabalho extra até arrecadava um cheque semanal muito positivo. 

A minha vida mudava todos os dias. Durante este período fiz escritas de pequenas empresas, trabalhei em duas agências de viagens e um dia até fiz radio em Toronto, a 50 kms da minha morada. A rádio foi a cereja no topo do bolo. Fiz anúncios, notícias e conheci artistas de Portugal e do Brasil.

A idade não perdoa e a certa altura eu comecei a fazer menos. Mudei para a GM Canada onde desempenhei varias tarefas desde a montagem, à inspeção e preparação de documentos para exportação. Cheguei ao fim com 30 anos de serviço e fiz a maior asneira possivel. Vendi tudo e fui embora para a terra do sol.

Portugal já não era o mesmo, e ao fim de um ano e pouco embrulhei tudo e regressei ao Canadã. Todos os meus planos e desejos cairam por terra. Isto aconteceu em marco de 2011 e agora tudo mudou. 

Consegui uma reforma muito confortável e com um pacote de benefícios invejável. Praticamente nada pago na saúde. Contudo o custo de vidaé levado, mas vamos gerindo tudo com calma. É uma vida diferente, e notamos que não ha imigração como na Europa. 

Agora temos os filhos de portugueses que cresceram e constituíram familia.  Tive a honra de formar o Clube Portugues de Oshawa em fevereiro de 1978, com a ajuda de uns amigos, é lá que ainda passamos horas de convívio,

Hoje posso dizer que estou integrado e,  como estudei em Beja, estou bem com o inglês e o francês, para além do meu português que me tem ajudado a fazer traduções e que me faz muito orgulhoso. 

Como gosto de ajudar, estou bem em lidar com o departamento de desemprego, de impostos e finançaas, serviços de saúde e sociais, onde a ajuda aos menos afortunados é muito apreciada. 

Esta é a história da minha vinda para o Canadá. Para os que ainda sonham emigrar, apenas sugiro que deixem o tempo ajudar a adaptação. Com o tempo tudo fica bem. O Canada não é Portugal. Cada um com as sus próprias valências e motivações de futuro risonho. 

Portugal é apenas o resultado da falta de cuidado. Incêndios, desmoronamentos, acidentes e crime sem razãoo, e muitas dificuldades de todo o género. Estou à espera de melhorar um pouco para poder ir até Lisboa. 

Obrigado a todos os que lerem este testamento e também que respondam ao que não gostarem. Ao Luís e João por favor bebam um cafe a meio deste desabafo. Fiquem bem e até breve.

João Bonifácio
ex-fur mil do SAM
CC2402 / BCAÇ 2851
(Có, Mansabá, Olossato, 1968/70)

Oshawa, Ontario, Canada (***)

(Fica a c. 60 km, a nordeste de Toronto, capital da província de Ontario)
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Notas do editor LG:

(*) Vd- pposte de 26 de agosto de 2026 > Guiné 61/74 - P28295: Tabanca da Diáspora Lusófona (43): From John (Crisostomo), USA, to John (Bonifacio), Canada


(***) Vd. poste de 1 de dezembro de 2006 > Guiné 63/74 - P1331: Blogoterapia (9): Quando a Pátria não é Mátria para ti (João Bonifácio, Canadá, ex-fur mil vagomestre, CCAÇ 2402 / BCAÇ 2851, Có, Mansabá e Olossato, 1968/70)

(...) O ex-alf mil Raul Albino fez o favor de me enviar este site, e eu, quando posso, procuro rever toda a Guiné, através das exposições de todos os nossos ex- camaradas, a todos os níveis.

Depois de finda a minha comissão, como Furriel Miliciano do SAM (vulgo,vagomestre), e após um pequeno período de descanso e adaptação, regressei a Lisboa com a minha esposa e filho, onde reatámos as nossas vidas.

Não foi longa a minha estadia em Portugal, uma vez que a desilusão que sofri ao regressar... Assim, ao ver que o futuro seria complicado para os filhos, decidi pedir autorização para sair de Portugal, com destino ao Canadá.

Se na altura eu me sentia ofendido com o meu próprio país, bem pode imaginar quando na Amadora me pediram 1500 escudos em selos, para selar a minha desvinculação a Portugal. 

Saí de Portugal a 15 de fevereiro de 1974, mas já sabia que alguma coisa se iria em breve passar. Mas era tarde, eu havia decidido que, depois de 37 meses no exército e 21 meses e 4 dias na Guiné, devia merecer mais um pouco de compreensão. (...)

(...) Comentário de L.G.:

Meu caro João /My dear John:

(...) Fico muito sensibilizado com a tua mensagem… Eu sei que a Pátria não foi Mátria para ti, foi madrasta... E eu sou o primeiro a ser solidário contigo, eu que decidi ficar na terra que me viu nascer... Sei que isso não te vai servir de consolo, mas não imaginas o rol de reclamações que recebo neste pequeno canto da blogosfera!... 

Enfim, o importante é que hoje estejas bem, nesse grande país que eu admiro… Mas as tuas raízes, a tua identidade, o teu passado estão aqui, estão connosco… Nenhum de nós terá futuro, se não souber preservar e até alimentar o passado. A Guiné marcou-nos a todos, com o seu ferrete... Mas foi em português, na língua de Camões, que exprimimos os sentimentos mais nobres ou dissémos os palavrões mais horríveis. 

João: não adianta. Não se escolhe a Pátria, não se escolhem os pais nem os irmãos, não se escolhe a língua materna... Mas dessa ao menos eu tenho (e tu tens, nós temos) orgulho... É em português, e em bom português, que comunicamos na blogosfera, neste blogue, na nossa tertúlia, nesta caserna virtual onde todos cabemos, de Lisboa a Bissau, de Viana do Castelo a Toronto, de Coimbra a Luanda.  (...) 

Guiné 61/74 - P28295: Tabanca da Diáspora Lusófona (43): From John (Crisostomo), Queens, New York, USA, to John (Bonifacio), Oshawa, Ontario, Canada




Bandeiras de Portugal, Canadá e EUA
 
Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2026)

João Crisóstomo.
Cartoon: Gemini IA / Google + LG

1. Mensagem que o João Crisóstomo, régulo da Tabanca da Diáspora Lusófona, mandou a partir da sua casa em Queens, Nova Iorque, para o João Bonifácio, que vive em Oshawa, 60 km a nordeste de Toronto, Onta5rio, Canadá, e  que foi fur mil SAM,  CCAÇ 2402/BCAÇ 2851 (Có, Mansabá e Olossato, 1968/70) (*):


Sent: Monday, August 24, 2026 5:46 AM
To: John Bonifacio 
Subject: Hello de Nova Iorque

Caro Bonifácio,

Oxalá recebas este. Manda-me o teu número de telefone para podermos cavaquear um pouco, Ok? Se quiseres, o meu telefone é o (...),

Um grande abraço dum velhote ( eu sou de 1965-67) e já fiz os meus 82… E, como tu, acarretando as maleitas de que falas…

João, Nova Iorque
John Crisostomo

2. O João Bonifácio (de quem, espantosamente, ainda não temos nenhuma foto atual no blogue...) respondeu nestes termos (conforme cópia que o João Crisóstomo  nos facultou):
 

 On Aug 24, 2026, at 11:30 PM, John Bonifacio wrote:

Olá, John,

Acuso recebido o teu e-mail, que agradeço e me admiro do teu interesse em comunicar comigo. Lembro-me dos e-mails anteriores e nunca percebi como chegaste à minha morada, e do mesmo modo, como tens passado a tua vida, e com os contatos que ganhaste ao longo da vida.

Os meus 81 anos e as dores nas pernas como resultado do Covid19, tiram-me um pouco da liberdade que sempre tive de explorar outros terrenos. Sou uma pessoa pacata que um dia resolveu escrever as suas histórias na Guiné-Bissau. Não sei se foi por aí que tudo iniciou, mas na verdade, apenas tenho uma vaga ideia do teu passado, dos trabalhos, como vieste para os USA. Aliás o teu currículo ~´e muito rico e variado, e por isso eu,  não sabendo dos detalhes, achei que não seria correto trocar ideias por este meio.

Estou no Canadá desde fevereiro de 1974, mas não sei porque aqui vim parar. Talvez porque sabia de tudo do nosso 25 de Abril e,  mesmo não sendo politico, tive o meu primeiro trabalho em Lisboa como escriturário do Dr Arlindo Vicente, que com o gen Humberto Delgado formaram as candidaturas para Presidente da Republica , em 1958.

Nessa altura estudava eu em Castelo Branco.

A partir desta altura, foi um desenrolar de emoções, que vou deixar para outra vez. Hoje foi um dia complicado e perdoa por ter de parar por aqui. Voltarei em breve.

Um abraço e Obrigado.
João


3. Resposta do João Crisóstomo ao João Bonifácio (e que partilhou connosco, recebida por nós na terça, 25/08/2026, 13:15):

Bom dia, Bonifácio,

"Me admiro do teu interesse em comunicar comigo": comungar a nossa vida com outros parece-me ser a coisa mais natural deste mundo. Faz parte do nosso ADN. Creio que qualquer pessoa que se encontrasse numa ilha sozinho, numa situação de completo isolamento, a coisa que mais desejaria seria não só o de encontrar alguém, como de poder partilhar —dar e receber —a sua vida com outros. 

Portanto não te admires do meu interesse de comunicar. Ao fazê-lo estou dar seguimento a um instinto natural, de alguma maneira na esperança de um "viver mútuo”. Creio por exemplo que se alguém descobrir que outra pessoa precisa de alguma coisa (maneira de curar uma doença,satisfazer uma deficiência, "dar de beber a quem tem sede e de comer a quem tem fome”, e coisas assim), a primeira coisa que quer fazer é satisfazer essa deficiência, de poder talvez ajudar outros com a sua vida e ao mesmo tempo beneficiar da vida de outros. 

É isso que todos nós fazemos todos os dias conscientemente ou não. Relatar e escrever as nossas vidas e ler as experiências e vidas de outros …E por isso este nosso blogue veio preencher uma lacuna, agora bem mais pequena, quebrado que foi o isolamento em que muitos de nós, camaradas que fomos na Guiné, nos encontrávamos.

Espero com muito interesse a tua  história acerca da tua vivência no Canadá, onde chegaste  em fevereiro de 1974.
 
Depois do que escrevi , curioso, fui investigar no nosso blogue a tua participação. E vim a encontrar o muito que escreveste em 2007 e anos seguintes,  ainda eu nem sabia da existência deste blogue. "Shame on me"! (Que vergonha!),  como se costuma dizer, pois, se sou desculpado por não ter lido o que escreveste nessa altura, não tenho desculpas de não ter lido vários outros “posts” teus, inclusive sobre a tua experiência de teres regressado a Portugal e, desiludido, teres voltado de novo para o Canadá.

Mas agora não vou deixar de ler tudo isso. Tanto mais que eu, mais que uma vez, também cheguei a pensar voltar; mas por uma razão ou outra (várias, aliás) acabei sempre por decidir ficar por cá.

Bom! aqui fica mais uma vez o meu número de telefone (....).

Se me quiseres dar o teu número eu ligo-te e podemos falar pelo telefone, que é ainda a melhor maneira de cavaquear, possibilitando trocas instantâneas de informações nem sempre possíveis de outra maneira.

Um abraço amigo,
João


4. Publicaremos, em poste a seguir, a mensagem que o João Bonifácio escreveu com um resumo da sua história de vida. 

Recorde-se que o João Bonifácio foi, "de facto et de jiure", membro da nossa Tabanca Grande em 1/12/2006. Portanto é um dos nossos veteraníssimos (**). Embora, excecionalmente, não tenhamos nenhuma foto dele, atual, no blogue. Passa a ser também membro da Tabanca da Diáspora Lusófona (***)

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Notas do editor LG:


(**) Vd. poste de 1 de dezembro de 2006 > Guiné 63/74 - P1331: Blogoterapia (9): Quando a Pátria não é Mátria para ti (João Bonifácio, Canadá, ex-fur mil vagomestre, CCAÇ 2402 / BCAÇ 2851, Có, Mansabá e Olossato, 1968/70)